Quilômetros de Aventura e Autoconhecimento

Entre a variedade de possibilidades podemos citar roupas, acessórios, equipamentos Hi-Tech, enfeites para o escritório e por aí vai. Mas nesse ano o presente foi mais ser do que ter.

E nesse caminho do ser, poderia entrar tranquilamente um passeio para uma cidade da serra, uma experiência culinária, um piquenique olhando a Ilha dos Lobos…

Mas não. O presente de aniversário desse ano foi algo diferente, uma experiência. Uma trilha de 8 horas, fazendo 12km entre pedras, rio e paredões te cercando de todo lado.

Aqui te conto minha jornada na trilha do Rio do Boi sob o Cânion Itaimbezinho que fica no Parque Nacional dos Aparados da Serra, na divisa dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Muito além de uma aventura

“Nós não buscamos o Autoconhecimento, ele sempre está presente.
Basta prestar atenção.”
~ Fernando Rui

Além de uma aventura, uma sessão completa de Autoconhecimento. Em desafios como esse ficamos conscientes. Eu senti minha respiração em vários momentos. Não ofegante, nem nada do tipo. Senti porque estava presente. No momento presente.

Ouvi os sons da água, dos pássaros e ouvi um som que vinha de dentro. Meu dialogo interno a mil fazendo altas teorias.

Não é à toa que aventuras como Caminho de Santiago, Acampamento Base do Monte Everest e tantas outras trilhas e caminhos são tão associadas a espiritualidade e ao autoconhecimento. A gente descobre coisas incríveis sobre nós mesmos em desafios como esses. Aliás, essas aventuras estão na minha lista.

Eu, como um apaixonado por esse processo de crescimento, me coloquei em estado de aprendiz e fiquei só observando. E, entre resvalos e vistas magníficas identifiquei 3 grandes momentos que aconteceram durante todo o trajeto:

1 – Eu lutando internamente com meu diálogo interno

Por um lado uma vozinha medonha dizendo:

– Estou por último, atrasando o grupo. Eles devem estar me zoando. Preciso acelerar o passo.

Já uma outra voz, mais confiante e determinada dizendo:

– Vim aqui fazer meu ritmo, sem competição. Esse é quem e como eu sou…

Era como se eu estivesse de fora, só observando toda essa discussão entre partes internas de mim. Ora me achando atrasado, ora curtindo aquilo tudo.

E em momentos como esses, que acontecem também no dia a dia, identificamos crenças e ficamos presentes para partes internas que estão tentando nos segurar naquele círculo vicioso, mas quentinho e aconchegante, da zona de conforto.

2 – Eu em verdadeiro contato com a Natureza e o Autoconhecimento

Seja sentindo minha respiração ou ficando presente para cada etapa do trajeto. Nas paradas, podíamos relaxar a tensão da caminhada e perceber a natureza. Ouvir muitos sons, todos em verdadeira sincronia. Ar puro, água pura e até mente pura.

É incabível definir em palavras a pureza que presenciamos lá. Um contato puro e verdadeiro com uma força poderosa, em completa harmonia e sintonia. Não há nada fora do lugar.

Parece sabe o que? Aquelas casas de vó onde você entra e vê tudo no seu devido lugar, combinando. Entra e se sente abraçado pelo aconchego…

3 – Eu hiper consciente para não cair

Nas 4 horas de ida até o ponto limite do Cânion, foram aproximadamente 10 travessias dentro do rio (algumas com água até a metade da coxa). Mesmo em um nível baixo a força da correnteza era considerável e as pedras muito escorregadias.

Ficar pensando se esqueceu de trancar a porta naquele momento não é uma boa ideia. É preciso atenção em cada passo. Eu devo ter escorregado umas 20 vezes, sem exagero. É muito tenso.

Isso me fez ficar consciente e focado nos passos e me garantiu sair de lá vivo e inteiro mas ao mesmo tempo gerou uma tensão enorme.

E nesse caso, dane-se observar a natureza, ficar consciente dos meus pensamentos, eu queria era não sair carregado pelo rio em direção ao desespero. E tudo bem, faz parte do desafio viver o desconforto e me manter presente pros perigos.

Em um estado ativo de aprendizado

trilha rio do boi fernando rui
Eu, no ponto limite da trilha…

Eu fui pelo desafio, fui porque senti que era capaz, fui porque visto esse eu de aventureiro e aprendiz de mim mesmo. E vou de novo em desafios como esse. Em breve.

Nessa trilha e eu aprendi com cada um dos grandes momentos, seja aproveitando a natureza e absorvendo todo seu poder e sincronia, seja no desafio de ser manter de pé ou mesmo travando uma luta interna.

“As experiências estão sempre por aí para ensinar.
Basta estar disposto a aprender… ”
~ Fernando Rui

Eu sou um verdadeiro novato nessa arte de aventuras em trilhas, caminhos e viagens de autoconhecimento. Mas já percebi uma motivação interna muito forte para viver esse tipo de experiência novamente.

E minha curiosidade agora é como será as próximas. Mais diálogo interno ou mais consciência?

  • Ana Faria

    Verdade! Cada momento da nossa vida oferece-nos uma oportunidade para crescer. Tudo à nossa volta coloca-nos à prova, mas no bom sentido! O sítio onde esteve Fernando parece maravilhoso! Acho que o presente de aniversário que lhe ofereceram foi fantástico! No próximo ano se calhar faço o mesmo. Afinal de contas, não há nada mais maravilhoso e desafiador que fazer um trilho, seja a pé, seja a correr. Muito obrigada por esta partilha. 🙂

    • Obrigado Ana, primeiro pela presença aqui e também pelas palavras inspiradoras…

      Foi algo único mesmo e incentivo muito esse movimento em forma de presente. Autoconhecimento e Natureza, uma combinação incrível…

      Abração!