Fazer o que ama: Nem luxo, nem lixo e uma pitada de verdades

Com a música da Rita Lee esse artigo promete verdades ácidas e perspectivas macias sobre o termo fazer o que ama.

Na era da realização, com tecnologia e infinitas possibilidades estamos vivendo uma revolução e incluindo uma palavra subjetiva logo após trabalho: trabalho com significado.

O que é uma afronta aos costumes e padrões passados, já que por décadas consideramos o trabalho, trabalho. Necessidade e obrigação.

Como bem disse a escritora britância Dorothy Sayers:

“O hábito de pensar no trabalho como algo para ganhar dinheiro está tão enraizado em nós que dificilmente conseguimos imaginar uma mudança revolucionária, que seria pensar sobre isso como trabalho realizado. Se pudéssemos fazer essa mudança e pensar em trabalhar da mesma forma que pensamos em se divertir, tratando-o como algo que fazemos por prazer, poderiamos mudar o mundo.”

Será que podemos pensar assim?

Nesse artigo quero trazer para você:

– Minha visão sobre o trabalho que amamos;
– O mau humor dos realistas que não amam;
– Quem são os apaixonados otimistas e do que eles se alimentam.

Imagine all the people

“Imagine all the people living for today” ~ John Lennon

Antes deixa eu falar um pouco do que acredito…

Eu acredito que quando somos nós mesmos e fazemos algo foda, algo alinhado com o que somos, com o que acreditamos, nossos valores e nossas paixões entramos para um movimento do bem influenciando ao nossos redor e consequentemente o mundo. Fazemos, indiretamente, um mundo melhor.

Para mudar o mundo, nessa minha aspiração preciso mudar a mim mesmo antes. Saber quem eu sou de fato, buscando dentro de mim o que faz meu coração cantar. Assim eu entrego o melhor trabalho possível pro mundo. Entrego amor no que faço e isso é contagiante, impactante.

E é por isso que trago esse assunto para reflexão.

Mas antes de dar minha opinião sobre o conceito Falar o que ama, deixa eu contar um pouco do que rola por aí!

Alice no país das maravilhas e o Fazer o que ama

Sempre que vejo conteúdos e informações sobre essa tema identifico 2 grandes grupos com posicionamentos extremos.

De um lado pessoas não acreditando com a seguinte argumentação:

Ei, você que faz que ama, diferentão, me diz se você não precisa fazer um planilha chata do excel para controlar suas finanças, logo você que odeia esse negócio de números?

Você, amigo, que transformou sua paixão em negócio não precisa lidar com a burocracia da sua empresa, acha que seus impostos e a contabilidade irão se resolver sozinhos? Ou você ama isso também?

Fala aí escritor que faz o que ama, você não precisar vender seus livros ou só escrever te tornará imortal na Academia Brasileira de letras?

Tá sentindo esse sarcasmos no ar? Para esses, os realistas que não amam, não podemos amar um trabalho pois ele sempre estará rodeado de tarefas chatas e portanto não podemos amar. Ponto final.

Trabalho é trabalho e lazer é lazer. Fazer o que se gosta só depois das 18h. Se você ama pintar, dançar, criar, entre tantas outras coisas, faça isso depois de sair do escritório, por favor!

Dá mesma forma e, também extremo, temos os apaixonados otimistas que são da vibe do amor, do incenso e da deusa Afrodite… Colocam tanto glamour e foco no fazer o que ama que esquecem que a vida real não é morango com chantilly. Idolatram e se perdem no primeiro desafio do seu trabalho dos sonhos.

E que tal se nessa conversa tensa e chegasse um otimista realista para trazer um realidade e equilíbrio?

Otimismo realista é um termo que li pela primeira vez no livro The power of full engagement (em português, O poder do engajamento Total) de Tony Schwartz e James E. Loehr. Inclusive, excepcional esse livro, recomendo muito.

Mas voltando aqui, mesmo com um nome intuitivo, deixo a definição dos autores:

“Encarar o mundo com ele é, mas sempre trabalhando positivamente em direção a um resultado ou solução desejada.”

E agora com esse conceito em mente deixo minha visão do “Fazer o que Ama“:

Fazer o que ama: Uma visão nem luxo e nem lixo

Pensando no otimista realista, nem tanto para o pessimista que acha impossível, que trabalho é trabalho, lazer é lazer. Nem para o otimista, com glamour fazendo o que amo, sentado na praia trabalhando com o computador com aquela luz absurda que não dá para ver nada na tela…

Talvez seja o que existe por trás do termo, talvez o que interpretamos dele e nossas experiências passadas criem situações extremas.

Eu, como em vários outros aspectos da vida, acredito nesse meio termo. Buscamos algo alinhado com o que acreditamos e vamos fazer acontecer, trazer amor e significado naquilo que estamos fazendo. E isso é o mais importante.

Portanto, fazer o que ama é descobrir qual a atividade que você faz com flow. Provavelmente faz com maestria ou se destaca fazendo. É um conjunto. Faz bem porque gosta daquilo, gosta daquilo e por isso faz bem.

Quando escrevo, me desligo do mundo e sem percebo uma sensação incrível tomando conta de mim, me sinto poderoso.

É claro que além dessa atividade específica, precisamos fazer muitas outras coisas. Eu como um escritor sou também um empreendedor. Existe uma empresa por trás. Eu preciso pagar impostos, ter um contador, fazer redes sociais, ou seja, diversas outras tarefas ao redor que são também importantes e fundamentais para alimentar minha arte.

E, nem todas são legais e bacanas de fazer. E isso é natural. Porque a vida é um conjunto de etapas para alcançar um objetivo maior. É um equilíbrio entre as atividades que quero e gosto de fazer e atividade que precisam ser feitas, são necessárias.

Eu não posso jamais falar que não faço o que amo por causa disso. Pois, quando olho esse conjunto me vejo completo.

Tem o lado bom e ruim, não é fábula. Talvez não seja para todo mundo, talvez não estejam todos interessados em buscar isso. Porque buscar isso, significa criar um novo trabalho, algo que esteja alinhado com você, com seus valores e essência. E isso é mexer com você, mexer em você!

Sempre são escolhas.

A medida que você vai avançando no trabalho que ama (e você pode baixar o guia gratuito para descobrir suas paixões) e começa a criar esse trabalho você descobre novas escolhas. Talvez exista alguma atividade nesse conjunto de atividades ao redor que não seja para você de jeito nenhum, prejudica teu estado emocional, te deixa eca! Blz! Experimente fazer e ter uma nova perspectiva, delegue. E assim você vai fazendo escolhas.

Vamos eliminar os mitos das suas experiências passadas e de tudo o que já viu e ouviu sobre isso. Vamos olhar internamente e descobrir o que você pode trazer pro mundo, algo só seu. Esse é o espírito.

Assume isso, assume a responsabilidade de levar isso adiante. E entra em um nível de engajamento, de realização que não dá para explicar, é preciso sentir…

Até a próxima experiência…