Reconhecendo o terreno: notas de uma viagem para o velho mundo

Uma viagem de 15 dias rumo ao velho mundo.

Fomos eu e a Tami, minha esposa para Portugal e Espanha com aquela curiosidade brasileira de conhecer algo que funciona melhor. Saímos com um pouco de dúvida sobre como seria a comunicação, a conversão do Euro, a segurança e o tempo para explorar tudo que queríamos.

Nesse texto simples e direto, compartilho aprendizados que tive durante e após a viagem. São pequenos detalhes que observei na nossa experiência na Europa.

Viajar é trocar a roupa da alma.
~Mario Quintana

Não considero uma viagem de autoconhecimento. Aquelas viagens focadas em aprender mais de nós mesmos, como em viagens de trekking ou em lugares afastados com natureza. Mas o aprendizado sobre nós mesmos está sempre em movimento, mesmo no dia a dia, seja em qualquer lugar do planeta.

Estamos sempre aprendendo. E por isso, apresento aqui algumas coisas que senti nessa viagem.

O roteiro envolvia praias, monumentos, passeios históricos, bairros antigos, metrô, trem de alta velocidade e comida, muita comida boa.

Segue aí os aprendizados do caminho:

Saber escolher as experiências

Alguns lugares do roteiro chegamos e não deu vontade de entrar.

Um pouco pela minha falta de paciência na dupla filas + turistas alucinados e mais um pouco por não sentir tudo aquilo do lugar. De fato, muitos outros pegamos filas e curtimos muito.

Estar consciente do que você deseja de experiência naquele lugar e não simplesmente seguir o roteiro pré-definido é uma boa habilidade a se nutrir em viagens assim.

Muito do curtir a viagem e sentir cada momento tem relação com a energia do momento. Nesse tipo de viagem, sem guia, onde fazemos tudo por conta, acontece muita merda.

Erramos o caminho, paramos em lugares bizarros, caminhamos horas e horas para chegar em um ponto que depois não conseguíamos voltar.

Ser flexível é um bom aliado aqui

Parar, respirar fundo, pedir ajuda, seguir o plano B. Em contrapartida, livres e soltos para escolher nos deparamos com lugares e pessoas incríveis que estão fora dos roteiros tradicionais. E essa é a mágica de viagens assim…

Aberto e Curioso para conhecer pessoas

Fui muito mais curioso e aberto para conhecer como vivem as pessoas e não para ver de perto a cor dos monumentos. Não sou muito da história. Sei um pouco, admiro algumas coisas, mas não sou grande fã e explorador nesse quesito.

Por isso, não invisto muito tempo em lugares históricos, acho bonito, admiro, entendo e aprecio a criação mas, de fato, não toca minha curiosidade.

Em contra partida, observar e entender como as pessoas vivem, costumes e diferenças culturais já me deixa mais curioso.

Gosto de observar tudo no caminho e evito, quando posso, lugares extremamente turísticos pois eles muitas vezes não representam a realidade daquela região. É algo criado para o turista.

Se conectar com pessoas e a forma como vivem

Um ponto alto da viagem foram as nossas estadias. Acostumados a alugar Hostels pela proximidade com as pessoas, optamos desta vez por algo mais íntimo. AirBnB. Alugamos quartos na casa de pessoas locais.

Foi um experiência muito gratificante.

Não sei se foi sorte, ou se a energia do momento, mas fomos muito bem recebidos por todos os nossos hosts. Ficar na casa dessas pessoas, conhecer como é o dia a dia deles, as dicas que recebemos, a atenção e carinho, a troca de experiências e cultura foi muito enriquecedor.

Lidar com as preocupações e paranoias

Muitas dificuldades no passado tirei de letra no dia a dia.

Coisas bobas que tenho, como medo de esquecer as coisas nos lugares, me preocupar com a comida, banheiro, etc. São coisas bem pequenas mesmo, eu falei. Mas no dia a dia da viagem podem ocupar tua mente e te deixar cansado.

Preocupação gasta energia.

Nessa viagem consegui superar muitas dessas preocupações e me senti mais leve, aproveitando os momentos com mais qualidade. É claro que teve tensão mas, me saí bem.

A prática leva a maestria.

Pontos turísticos e minha relação com a Natureza

O homem faz coisas incríveis como a Casa Batlô, a Sagrada Família em Barcelona e até o pastel de Belém em Portugal, mas é o contato com a natureza que está no meu coração.

Eu respeito e admiro muito o que o homem fez e faz para tornar nossa vida melhor e mais bem vivida.

Não há dúvida da nossa grandeza.

Mas quando eu chego em lugares onde a Natureza se mostra presente e exuberante o momento presente fica mais intenso. A foto fica mais bonita e até o sorriso fica mais gostoso.

Viajar é viciante, alucinante, cansativo e recompensador

É uma mistura gostosa de sentimentos que nos fazem ficar fortes e felizes sem motivo aparente.

No fundo, sabemos por que. Estamos descobrindo o novo, explorando, praticando algo que na infância era um tesouro.

Ficamos felizes porque fomos curiosos. E essa é a grande essência da vida e nos impulsiona a buscar o melhor. Todos em qualquer velocidade/intensidade estão dia a dia sendo curiosos e buscando algo melhor para suas vidas.

E ficamos fortes porque caminhamos muito, fizemos muitas coisas, era cansativo pra ***** mas, mesmo assim a gente seguia adiante. Posso chutar sem medo de exagerar que fazíamos no mínimo 5 a 7 Km por dia caminhando, pegando metrô e conhecendo lugares.

Parece que geramos uma energia nova por estar vivendo o novo.

Os próximos passos de uma aventura que não termina

Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.
~ Amyr Klink

Resumindo esses 15 dias em uma recomendação pessoal para você.

Não importa se na natureza ou em lugares cheios de pessoas, pouco importa se é famoso ou um lugar nunca desbravado, tanto faz se é 18 horas de avião ou apenas 3h de carro, viajar é descobrir um mundo novo dentro e fora de você.

É ficar mais perto do que te faz ser, assim, inteiro, é ver por outros ângulos, experimentar novos ares, gostos, cheiros, sensações.

Viajar é intensificar a vida… Dar mais vida. É, enfim, algo que não dá para contar, é preciso experimentar…

De todos esses aprendizados ficou uma certeza: Já está na hora de focar na próxima.

Agora com um pouco mais de natureza, e muito menos pessoas. Nada contra pessoas. É só um gosto que estou alimentando aqui dentro, que já contei um pouco aqui. Fazer trekking e me conectar com a natureza é um desejo que vem crescendo.

Como é para você viajar? Você sente a mesma coisa que eu quando viaja? Comenta aí abaixo!