Encontrando uma nova paixão

Nós humanos somos seres estranhos. Gostamos de coisas que não dá para imaginar. E não estou nem falando de arte maluca que surgiu esses tempos, estou falando de paixão.

Eu tenho muitas paixões. Nem todas eu levo tão a sério a ponto de evoluir e não conseguir ficar sem.

Um exemplo disso é o skate, eu gosto, sinto um prazer indescritível andando, sentindo o vento, buscando o equilíbrio necessário para não se esborrachar no chão. Mas por outras prioridades nunca investi tempo o suficiente para evoluir no esporte, fazer manobras, praticar constantemente. Não serei o Bob Burnquist da nova geração, mas definitivamente gosto.

Já outras paixões vem crescendo sem controle dentro de mim. Crossfit, que comecei há mais de um ano e é cedo ainda dizer, mas que já mexeu comigo, é um exemplo. Outra, inspiração desse texto, é o trekking.

Começou com um artigo despretencioso no Mundo Gump falando dos alpinistas mortos no Everest que continuam lá, pelo menos em corpos.

Eu disse que temos gostos estranhos.

Mas aquele post me motivou a buscar o porquê fazer aquele caminho que pode levar a morte. Eu fiquei grilado com aquilo.

Porque fazer algo que pode causar a morte?

“Porque ele está lá.”
George Mallory quando perguntado sobre por que motivo ele queria escalar o monte Everest

Depois veio o livro do Luciano Pires sobre sua ida ao acampamento base do Everest (Meu everest), com risco de morte bem mais baixo, mas nada garantido. Puta livro, detalhado, engraçado, hilário para dizer a verdade. E aquilo foi aumentando dentro de mim…

Depois os textos e livros da Paula Quintão e suas andanças pelo mundo (Para sempre um novo eu – Monte Roraíma e Os caminhos que as estrelas me viram cruzar – Caminho de Santiago).

Além, é claro, do clássico de Amyr Klink 100 dias entre o céu e o mar que não é sobre trekking mas foi um aventura surreal, certamente com risco alto.

Porra.

Para muitos caminhar até fazer bolhas, suportar baixa temperatura, dormir no chão, tomar banho gelado, cagar no mato, são coisas para gente hippie maluca. Mas tem gente que gosta. Eu não sei explicar, mas gosto. Ou melhor, sinto que estou aprendendo a gostar…

“Uma experiência intensa vivida em poucos dias pode transformar nossa vida para sempre e marcar nosso coração com amor e saudade.”
Paula Quintão

Na verdade desconfio do porque eu gosto. Peregrinar é criar uma conexão direta com o autoconhecimento, algo intenso, verdadeiro, que traz o melhor e o pior, que nos testa em infinitas formas, te conecta com quem você é.

Vista da montanha 7 Colores (Winicunca) no Peru, o trekking mais difícil que já fiz até hoje. Altitude de 5020m e uma caminhada de 10km.

Junte a isso, uma Natureza exuberante, ambientes com ar puro, daqueles cenários que dá vontade de chorar.

E por fim, nosso desejo humano de superar nossos limites, conquistar mais, dar mais um passo além. Algo que todo mundo tem e se manifesta de diferentes formas. Pode ser no esporte, nos negócios, nos estudos, em qualquer conquista. Ou em várias .

Subir um monte, percorrer longos caminhos é uma insanidade para alguns, uma necessidade e conquista para outros.

Gosto não se discute… Cada um com seus gostos estranhos. Cada um com suas paixões ou possíveis paixões.

Não importa quão estranhos pareçam, suas paixões dizem muito sobre você.

Com risco de morte, sofrimento ou cansaço mental. Ou sem nada disso, não importa. Suas paixões te fazem humano. Daqueles humanos que vivem sabe, de verdade, e não estão enozados na próxima rotina, escorregando nas desculpas do tempo, dinheiro, seja lá o que mais.

Eu sigo nas minhas, confiante que tenho muito que aprender com elas, buscando evoluir como pessoa, me apaixonar e aprender mais de mim mesmo.

Vá buscar as suas.

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